Solidão versus paixão... Trabalho versus emprego
Há dias assim... Há noites assim.. Há um ano que nada escrevo aqui, como costumo dizer, escrevo para o espaço, porque ninguém lê, mas o importante é que escrevo para mim própria, o escrever ajuda-me sempre a superar as noias, as depressões, a solidão que por vezes me invade até ao caroço mirrado do meu coração!
O emprego que me destrói os dias, a sensação de distância e alheamento que a minha filha, agravada com a sensação de que tenho um neto, que adoro, mas que agora não me enche os dias e que sinto talvez erradamente, que se vai afastando de mim... a fase má que o homem que amo desmesuradamente atravessa por causa do peso diário de ser cuidador do pai e que a minha ausência não ajuda, traz-me esta insónia...Então, na solidão da noite, (estava quase a dormir, mas o homem que amo, estafado com os dias iguais, acordou-me de vez!) aqui me deitei no sofá do psicólogo e despejo este amalgama de palavras sem nexo, mas que me alivia a alma que dói! Oh, como dói!
Dói porque tenho um emprego de cão, e não um trabalho que amo, dói porque não o posso ainda largar, mas está a estragar a minha relação, dói porque queria estar livremente com os meus filhos e neto e é preciso ser convidada ou pedir a medo se há alguma hora a que me seja permitido ir a casa deles, como uma visita de cerimónia (é assim que me sinto), dói porque tinha imaginado ir com o homem da minha vida vivermos esta parte terceira da vida a dois, sem problemas e nunca mais nos deixam... Dói porque ele dorme na nossa cama agora e eu, que já estava a dormir, tive de vir para aqui fazer terapia cibernética, porque estou apaixonada mas estou só, porque não estou a trabalhar mas sim apenas empregada e me tratam como carne para canhão!
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